SecOps

Como estruturar um programa de conscientização em cibersegurança que reduza risco humano

Phishing, engenharia social e comprometimento de credenciais continuam entre os vetores iniciais mais eficazes. Eles exploram o ponto mais distribuído da superfície de ataque: as pessoas. A resposta-padrão é estruturar e estabelecer um programa de conscientização em cibersegurança. 

Mas a facilidade da resposta não exclui o desafio. E não estou me referindo apenas à escolha de plataforma, de temas de treinamentos e da frequência das campanhas. 

Programas bem estruturados de conscientização não começam pelo conteúdo. Eles começam na conexão e alinhamento entre programa de conscientização com programa de segurança como um todo, com governança e indicadores claros. O programa não pode ser avulso, desconectado das políticas, riscos e objetivos organizacionais.

Dito isso, o centro da discussão passa a ser  como planejar o pilar de pessoas do programa de segurança para depois chegar à operacionalização. E é sobre isso que vamos falar aqui.

Estruturando um programa de conscientização em cibersegurança

Executivos, equipes financeiras, atendimento, tecnologia, operações e terceiros podem ser tratados da mesma forma em um programa de conscientização? Dificilmente.

Quem aprova pagamentos, por exemplo, pode estar sujeito a BEC, urgência artificial e validação. Quem opera credenciais privilegiadas precisa de reforço em MFA, higiene de senha, phishing direcionado e padrões de reporte. Quem trabalha em regime híbrido exige rotinas mais fortes de navegação segura, colaboração em nuvem e proteção de dispositivos.

Nós sabemos disso na prática em segurança, mas nem sempre levamos esse conhecimento para a estruturação do programa de conscientização. Então, pensando em termos de passos, temos que:

1. Diagnosticar o cenário atual

Respondemos a perguntas como:

  • Quais os vetores que aparecem com mais frequência no ambiente?
  • Quais os processos críticos sujeitos a ameaças com tais vetores que sofreriam o maior impacto?
  • Quais áreas têm maior exposição ou concentram maior probabilidade de erro?
  • Como está a cultura de reporte?
  • Quais comportamentos precisam mudar primeiro porque expõem mais a organização? 

Sem esse baseline, o programa corre o risco de virar um calendário de ações sem relação clara com risco real.

2. Definir objetivos comportamentais, além de educacionais

“Capacitar usuários para adotarem comportamentos mais conscientes em segurança” é um objetivo legítimo para um programa voltado às pessoas, mas também amplo demais. 

Por isso, mais abaixo desse norte comum, os resultados objetivos do programa podem ser formulados como: 

  • Reduzir a taxa de clique em simulações
  • Aumentar o volume de reporte de mensagens suspeitas
  • Diminuir a reincidência entre usuários de maior risco 
  • Reduzir o tempo entre recebimento do e-mail suspeito e abertura do alerta para o SOC ou service desk.


3. Desenho do programa 

Definido o cenário as-is e os objetivos to-be, torna-se mais fácil descer para o estabelecimento do programa em termos práticos.

E aqui, cabe definir trilhas por perfil de risco, matriz de temas obrigatórios para toda a companhia, cadência de simulações, integração com políticas de segurança, normas e regulações.

Outro ponto: a literatura de mercado e os benchmarks de medição convergem para programas contínuos, com reforços frequentes, simulações recorrentes e medição de comportamento real, não apenas teste de conhecimento.

4. Estabelecer a governança e indicadores de sucesso

O programa de conscientização precisa ter dono, rito de acompanhamento e espaço formal na governança de riscos. Sem isso, o awareness tende a perder prioridade diante de outras agendas do programa.

Isso implica estabelecer indicadores regulares, revisar resultados e usar dados de simulações e incidentes para recalibrar campanhas, trilhas e mensagens.

Métricas como reporting rate, repeat offenders e tempo de reporte existem justamente porque awareness eficaz precisa aparecer no comportamento cotidiano.

Esse ciclo precisa ser contínuo, inclusive, para acompanhar o ambiente de ameaças. À medida que o padrão de ameaça muda, o programa também precisa mudar, atualizando exemplos, cenários, testes e critérios de risco comportamental.

Um bom modelo de gestão é trabalhar awareness como produto interno de segurança: com backlog, hipóteses, métricas, testes, iteração e accountability. Isso ajuda a romper com o formato tradicional de campanha sazonal e aproxima o programa da linguagem que gestores de ciber já usam para gerir controles, exposição e efetividade operacional.

Temas que não podem faltar em um programa de conscientização

Os tópicos centrais já conhecidos são críticos porque correspondem aos vetores com maior recorrência. Phishing, spear phishing, engenharia social, roubo de credenciais, senhas, MFA, uso seguro de e-mail, navegação, classificação da informação, trabalho remoto e reporte de incidentes seguem entre os blocos fundamentais de qualquer trilha séria.

O programa também pode contemplar normas (como ISO e outras), políticas internas e regulações (LGPD, CVM, BCB etc.) seguidas pela organização.

Ainda assim, o melhor programa não organiza conteúdo apenas por “tema de segurança”, mas por situação de decisão.

Moldar o conteúdo para que o colaborador visualize a situação no dia a dia, reconheça a ameaça e saiba precisa saber o que fazer quando recebe um pedido urgente de pagamento, quando um login parece legítimo demais, quando uma ferramenta de IA pede dados internos ou quando um colega solicita acesso por um canal incomum. 

Como justificar o programa para a alta gestão

A melhor forma de justificar o investimento em um programa de conscientização é conectar a importância do comportamento humano à importância de ferramentas e processos do programa de cibersegurança – o que, aliás, pode ter um custo substancialmente menor. 

O discurso executivo mais convincente é o que mostra que tecnologia pode fazer muito, mas sozinha não neutraliza pedidos fraudulentos, abuso de confiança, urgência socialmente construída e uso indevido de identidade. 

Nesses cenários, a pessoa treinada não substitui o controle técnico, mas aumenta a chance de que o controle seja acionado a tempo. É por isso que programas de conscientização bem estruturados precisam ser tratados como componente estratégico da postura de defesa, não como ação acessória de comunicação interna.

Treinamento de segurança em que seu time realmente joga junto

Para colocar um programa de conscientização contínuo, segmentado e focado em comportamento de pé, adotar uma plataforma para sustentar a iniciativa é essencial para ter agilidade.

A DataRunk é usuária e parceira da Hacker Ranger, uma plataforma desenhada para programas com esse foco. Você pode criar suas temporadas com trilhas de treinamento de acordo com seus objetivos e riscos para cada equipe. 

Para isso, o acervo tem:

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Para mensurar a qualidade do programa e evidências de auditoria, você pode monitorar 23 KPIs. Ao usar a plataforma, a empresa entra automaticamente no programa de certificação Hacker Ranger, que chancela seus resultados por meio de certificados.

Se você quer transformar risco humano em defesa humana, conheça mais sobre o Hacker Ranger!

 

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