SecOps

Como escolher um SIEM, de acordo com o Gartner

O SIEM é a ferramenta‑chave para aumentar a capacidade de atuação de um SOC. A própria ferramenta segue evoluindo desde que foi formalmente definida pelo Gartner em 2005. Novas funcionalidades e recursos vêm redesenhando o SIEM para muito além da função central de processar logs e criar correlações entre eles para análise de eventos de segurança.

Sem perder a sua centralidade, o SIEM já aparece funcionando junto com outras soluções, como SOAR – security orchestration, automation and response, UEBA – user entity and behavior analytics e TIPs – threat intelligence platforms.

Como então escolher um SIEM? Que recursos e funcionalidades todo SIEM deve ter? O que você deve considerar sobre o seu ambiente ao levar esse recurso para a organização?

Neste artigo, você encontra as respostas do Gartner para essas perguntas, complementadas por aprendizados nossos em projetos de engenharia de detecção, SOC e CFC.

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Definição de mercado para o SIEM

O Gartner define o SIEM como um sistema configurável que agrega e analisa dados de ambientes on‑premise e cloud para identificar, investigar, apoiar respostas e relatar eventos de segurança. Ele é o centro nervoso de um SOC, conectando diversas fontes de logs, eventos e sinais de risco.

Em projetos com clientes de médio e grande porte, vemos o SIEM assumir três papéis principais: 

→ Concentrar e normalizar dados de segurança

→ Habilitar detecções e investigações mais rápidas 

→ Fornecer evidências para auditorias e requisitos regulatórios.

O Gartner aponta um conjunto de funcionalidades mínimas que qualquer SIEM sério precisa oferecer. Elas servem como um checklist inicial na avaliação de fornecedores.

Funcionalidades obrigatórias

Todo SIEM deve ser capaz de:

  • Coletar dados relevantes em segurança a partir de ativos localizados on‑premise e/ou cloud.
  • Permitir que os usuários desenvolvam, modifiquem e mantenham seus próprios casos de uso de detecção, com base em métodos de correlação, análise e assinaturas customizados.
  • Fornecer conteúdo para customizações, cobrindo áreas como análise, normalização de dados, coleta e enriquecimento.
  • Disponibilizar gerenciamento de casos e suporte para atividades de resposta a incidentes.
  • Gerar relatórios para atender necessidades de negócios, compliance e auditorias.

Funcionalidades standard de um SIEM moderno

Além do mínimo, o Gartner descreve um conjunto de capacidades que hoje são consideradas padrão em SIEMs líderes:

  • Armazenamento de dados sobre eventos de segurança, com disponibilidade para pesquisa posterior.
  • Coleta de dados de eventos provenientes de fontes diversas, utilizando múltiplos mecanismos (fluxo de logs, API, processamento de arquivos) para casos de uso de detecção de ameaças, relatórios e investigações de incidentes.
  • Múltiplas opções de implantação, incluindo on‑premise, cloud, cloud‑native ou SaaS.
  • Normalização, enriquecimento e pontuação de risco de dados provenientes de sistemas de terceiros.
  • Orquestração e automação de tarefas e workflows de investigação para mitigar o impacto de incidentes.
  • SOAR integrado ou nativamente disponível.
  • Funcionalidades de análise avançadas, com UEBA e machine learning.
  • TIP (Threat Intelligence Platform), para fornecer informações contextuais sobre ameaças.

Funcionalidades optativas de um SIEM

Dependendo da maturidade da operação e do orçamento, alguns recursos opcionais tornam‑se diferenciais na decisão:

  • Integração com outras tecnologias por meio de app stores, marketplaces e integrações prontas.
  • Federated search.
  • Busca e consulta de eventos para além do repositório de dados do SIEM, visando ao enriquecimento de informações de eventos.
  • Tecnologias complementares, como detecção e resposta em endpoints (EDR) e detecção e resposta em rede (NDR).
  • Integração com plataformas de data lake.

Tendências e mudanças no mercado de SIEM

O Gartner observa algumas tendências importantes na evolução do mercado de SIEM:

  • SIEM as a service.
  • Compatibilidade com APIs de acesso a dados.
  • Soluções centradas nas principais necessidades de coleta de logs e no processo, detecção e resposta tradicionalmente realizadas por um SIEM, que, apesar de menos flexíveis, atraem operações menos maduras.
  • Automação e orquestração cada vez mais presentes no core do produto.

Do lado da prática, temos visto empresas migrarem de implantações on‑premise complexas para modelos cloud‑native e SaaS, justamente para reduzir esforço de manutenção, acelerar o time‑to‑value e explorar melhor automações embarcadas.

Checklist de funcionalidades críticas em um SIEM (para diferentes cenários)

A seguir, organizamos os pontos que o Gartner destaca como críticos em um SIEM em formato de checklist prático.

1. Arquitetura e implantação

  • O SIEM deve se adequar a ambientes on‑premise, cloud‑native ou hospedagem em cloud, integrando‑se a outros serviços para coletar e monitorar dados.
  • Em operações menos maduras, arquiteturas cloud‑native ou SaaS com conteúdo pronto tendem a reduzir complexidade e custo de implantação.
  • Em operações com SOC estruturado, vale priorizar flexibilidade de arquitetura, integrações avançadas e controle de custos de ingestão.

2. Coleta de dados em escala

  • Capacidade e facilidade de gerenciar logs, chamadas de API e outros dados, independentemente do volume e da fonte, com velocidade.
  • Conectores prontos para principais clouds, sistemas críticos de negócio e ferramentas de segurança já existentes.
  • Mecanismos de normalização consistentes para evitar “lixo estruturado” e facilitar correlações.

3. Add‑ons e extensão da plataforma

  • Disponibilidade de soluções complementares e integradas no mesmo fornecedor de SIEM, incluindo SOAR, TIP, UEBA, XDR, entre outros.
  • Avaliação do que faz sentido agora e do que pode ser ativado gradualmente, conforme a equipe amadurece.

4. Conteúdo pronto e frameworks

  • Presença de ferramentas de interesse geral já disponíveis no SIEM para detectar, priorizar e reportar anomalias comuns (playbooks, frameworks, dashboards e correlações preconstruídas).
  • Alinhamento do conteúdo com padrões e frameworks relevantes ao seu setor (por exemplo, MITRE ATT&CK, PCI‑DSS e LGPD).

5. Compatibilidade e gestão de conteúdo

  • Conjunto robusto de recursos para gerenciar o conteúdo disponível: conectores, integrações, parsers, regras e playbooks.
  • Facilidade para versionar, testar e promover conteúdo de detecção entre ambientes (dev, homologação e produção).

6. Integrações

  • Capacidade de trabalhar bidirecionalmente com outras plataformas, focadas ou não em segurança (ITSM, ferramentas de observabilidade, soluções de identidade, etc.).
  • API bem documentada para integrações customizadas.

7. Roadmap do produto

  • Roadmap claro para evolução do SIEM, considerando mudanças na superfície de ataque e novas demandas de compliance.
  • Frequência e qualidade de releases, bem como histórico de execução do roadmap pelo fornecedor.

8. Interface do usuário

  • Interface adaptável a diferentes perfis de usuário, do analista júnior ao engenheiro de ameaças.
  • Facilidade de uso na criação de queries, dashboards, playbooks e investigações.

9. Funcionalidades prontas para uso

  • Conteúdo out‑of‑the‑box relevante para monitorias comuns de segurança e requisitos de compliance.
  • Importante sobretudo em operações menos maduras, que não têm equipe para construir tudo do zero.

10. Customização avançada

  • Capacidade de configurar a plataforma SIEM para atender diferentes requisitos de segurança, com base em uma compreensão sólida da superfície de exposição a riscos da organização.
  • Impacto direto sobre geração de alertas, análises, relatórios e dashboards customizados.

11. Detecção, investigação e resposta

  • Recursos de detecção, investigação e resposta integrados, permitindo que o SIEM seja de fato o centro da operação de segurança.
  • Integração fluida com processos de incident response internos ou serviços gerenciados.

Em nossos projetos, é comum vermos organizações que compram um SIEM tecnicamente robusto, mas têm dificuldade para extrair valor porque não alinharam esses critérios à própria realidade de ambiente, equipe e orçamento.


Quando buscar um SIEM (e qual modelo faz sentido)

Sendo o core de um SOC, o SIEM pode estar presente em operações com variados níveis de maturidade e tamanho, mas isso muda bastante as funcionalidades requeridas. A variação de SIEMs disponíveis no mercado é grande, com plataformas cloud‑nativas universalizadas e menor complexidade de implementação, além de opções mais customizáveis para operações maduras.

Sinais de que você já deveria ter um SIEM

Considere priorizar a adoção de um SIEM quando:

  • Já não consegue investigar alertas de segurança apenas com as ferramentas nativas de cada sistema ou cloud.
  • Precisa comprovar aderência a normas ou frameworks (como ISO 27001, LGPD e PCI‑DSS) com relatórios consistentes de logs e incidentes.
  • Tem incidentes recorrentes que demoram a ser detectados ou são descobertos por terceiros (fornecedores, clientes ou reguladores).

De acordo com a análise do Gartner, os CISOs devem determinar e documentar com precisão o escopo e os casos de uso em que pretendem aplicar um SIEM antes de ir ao mercado. Fatores como infraestrutura, necessidades de compliance e auditorias influenciam diretamente na arquitetura da solução, bem como nos recursos requeridos.

SIEM próprio, SIEM gerenciado ou híbrido?

  • Operações menos maduras tendem a se beneficiar de SIEM as a service, com conteúdo pronto, automações preconstruídas e suporte especializado.
  • Operações com SOC consolidado muitas vezes combinam SIEM com SOAR, UEBA e XDR para ter mais controle sobre casos de uso avançados e integração com outras ferramentas.

Além disso, o SIEM não é um plug‑and‑play: para alcançar o valor máximo do investimento, a melhoria contínua da operação é fundamental, tanto para os casos de uso previstos quanto para a adoção de novos recursos e tecnologias complementares.

Magic Quadrant for SIEM 2025

No Magic Quadrant for Security Information and Event Management 2024, o Gartner posiciona alguns fornecedores como líderes globais de SIEM. Entre eles, destacam‑se Splunk e Microsoft, seguidos por Google, Securonix, Exbeam e Gurucul.

Para muitas organizações, esses players aparecem como referência de capacidade técnica e visão de futuro, mas a escolha final deve considerar aderência ao contexto local, modelo de licenciamento, ecossistema de parceiros e disponibilidade de especialistas para implementação e operação.

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SIEM: o centro da sua operação de segurança

Neste artigo, você viu o que se pode esperar de um SIEM e, mais do que isso, o que deve considerar ao buscar um para estruturar o SOC e a estratégia de segurança da informação da organização, com base nas recomendações do Gartner. Também exploramos critérios práticos para avaliar funcionalidades críticas, encaixar o SIEM no seu cenário de maturidade e entender quando faz sentido optar por modelos as a service ou arquiteturas mais customizáveis.

Ainda assim, apoio especializado pode fazer a diferença, sobretudo em operações críticas. Nisso, a DataRunk pode ajudar você: atuamos no mapeamento do ambiente, definição de casos de uso, identificação de tecnologias, dimensionamento e implantação do SIEM, além de treinamento da sua equipe e suporte à evolução contínua do SOC.

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